
Uma das artes que durante toda minha vida tentei praticar e sem dúvida, ainda pratico, é respeitar os direitos das pessoas. Exercito a cortesia e a educação, inserindo esses hábitos na minha vivência em sociedade. Essa minha forma de agir seria uma qualidade pura e até admirável, porém esta virtude veio com um defeito inerente. Esse defeito consiste na minha compulsão em querer exigir dos outros a mesma educação e o mesmo respeito. No meu ponto de vista, essas virtudes são alimentadas desde o berço, cultivadas pelos pais, dentro de um convívio estruturado de uma família feliz. Apesar da importância deste acompanhamento familiar, ainda existem algumas pessoas que chegam a envelhecer sem nunca ter praticado um gesto de cortesia ou ter a consciência da necessidade de uma postura ou boa conduta em sociedade.
Citarei um pequeno exemplo prático.
Em uma determinada ocasião, eu estava numa fila de pagamento em uma agência bancária, quando uma senhora logo atrás de mim começou a espirrar com a boca descoberta, sem nenhuma intenção de ser discreta ou simplesmente tapar a boca com uma das mãos para evitar o jorro fatídico de sua saliva nas minhas costas. Cheguei a olhar algumas vezes por cima do ombro não logrando nenhum êxito. Privei-me de qualquer manifestação verbal, deixei-a desmanchar-se em muco, paguei a minha conta e fui em direção a saída, decepcionado com aquele exemplo de falta de respeito. No momento em que eu iria dar o primeiro passo fora da porta, uma pequena criança, passou por mim e disse de forma suave:
- Com licença, Senhor.
A miúda garotinha salvou minha fé na raça humana.
Restou-me a certeza de que certas virtudes começam a ser praticadas na infância... nela nascem, crescem e seguem adiante.