Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

O Mundo começou para ELE...


Dimitri Ximenes.

O Menino chegou... dia 08/06/2009... um dia antes do aniversário do Pai.

Estou passando por uma delicada fase de adaptação... e por causa disso, tive que ser menos assíduo quanto ao meu blogue e meus escritos.

Prometo manter esse meu pequeno espaço cultural ativo e funcionando... e aumentar a freqüencia dos meus escritos.

Abração pra todo mundo

Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Saber Viver


Uma das artes que durante toda minha vida tentei praticar e sem dúvida, ainda pratico, é respeitar os direitos das pessoas. Exercito a cortesia e a educação, inserindo esses hábitos na minha vivência em sociedade. Essa minha forma de agir seria uma qualidade pura e até admirável, porém esta virtude veio com um defeito inerente. Esse defeito consiste na minha compulsão em querer exigir dos outros a mesma educação e o mesmo respeito. No meu ponto de vista, essas virtudes são alimentadas desde o berço, cultivadas pelos pais, dentro de um convívio estruturado de uma família feliz. Apesar da importância deste acompanhamento familiar, ainda existem algumas pessoas que chegam a envelhecer sem nunca ter praticado um gesto de cortesia ou ter a consciência da necessidade de uma postura ou boa conduta em sociedade.

Citarei um pequeno exemplo prático.

Em uma determinada ocasião, eu estava numa fila de pagamento em uma agência bancária, quando uma senhora logo atrás de mim começou a espirrar com a boca descoberta, sem nenhuma intenção de ser discreta ou simplesmente tapar a boca com uma das mãos para evitar o jorro fatídico de sua saliva nas minhas costas. Cheguei a olhar algumas vezes por cima do ombro não logrando nenhum êxito. Privei-me de qualquer manifestação verbal, deixei-a desmanchar-se em muco, paguei a minha conta e fui em direção a saída, decepcionado com aquele exemplo de falta de respeito. No momento em que eu iria dar o primeiro passo fora da porta, uma pequena criança, passou por mim e disse de forma suave:
- Com licença, Senhor.

A miúda garotinha salvou minha fé na raça humana.

Restou-me a certeza de que certas virtudes começam a ser praticadas na infância... nela nascem, crescem e seguem adiante.

Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

Le Miserable Flanelinha


Lá estava o rei da sujeira
Gengivas escurecidas e dentes perdidos
Vivendo à beira
Ferindo reentrâncias dos seus poros fedidos.

Flanela no ombro
Lá estava o excelentíssimo dono da rua
Bebendo aos tombos
Desfilando na pista que também é sua

Fingindo tomar conta do alheio
Esperto, acomodado, esmoléu e ladrão
Lá estava o centurião sem asseio
Disfarçando sua farsa em ganha-pão

No bolso uma enferrujada arma branca
Couro grosso de vários safanões
Defendendo sua zona nada franca
De outros miseráveis guardiões

Lá estava o lorde da fedentina
Travestido de digno servo fiel
Espreitando em cada esquina
Uma vítima coletada a granel

Escarrando sua amarela falsidade
Gritando de longe ao descuidado:
“Tô de olho... autoridade !!!”
Lá estava o mestre do asfalto.

Deixando um cínico aviso implícito
Aos que deixarem claro alguma negação
Sobre um possível roubo, amassado ou risco
Na posse de quem não deixar... uma colaboração.

Lá estava o magnífico ilusionista
O ilustre empregado-modelo de diária luta
Extorquindo tostões pela pista
Mais um... dentre muitos filhos da rua.

Autor: Antonio Ximenes

Quinta-feira, 2 de Abril de 2009

Lampejo


Não vou falar... me sinto pequeno.
Queria saber... me sinto desligado.
Estou aqui... me sinto invisível.

O jantar está servido
As bocas apenas mastigam
Bocejam e só.

Não vou reclamar... me sinto único.
Queria ofender... me sinto maior.
Estou certo... não é o suficiente.

O martelo bate incansável.
O bom-dia pela manhã
O silêncio previsível do boa-noite.

Não vou gozar... me sinto impotente
Queria mentir... me sinto sincero.
Estou farto... me sinto puto.

Bato o ponto todos os dias.
Finjo sorrir na cortesia remunerada.
Penduro meu sorriso no cabide.

Tento não perder minhas digitais
Repito várias vezes o meu nome
Refaço mentalmente o caminho de casa

Não vou desaparecer... me sinto sólido
Queria existir... me sinto contraditório
Estou vivo... e só.

Autor: Antonio Ximenes

Segunda-feira, 23 de Março de 2009

O Mundo é de quem ?


Vou relatar agora, uma história que ouvi... que pode ser uma grande mentira...

... ou uma verdade interessante... (e nenhum pouco exemplar)

Seja como for... servirá para uma boa reflexão.

Reza a lenda... que uma vez... um Senhor estava dirigindo o seu carro importado e cheio de cromados e parafernálias tecnológicas... procurando uma vaga na garagem de um Shopping Center aqui de Fortaleza.

O Ricaço estava ficando impaciente e não encontrava nenhum espaço para “pousar” o seu Carrão.

De repente.

Surgiu como uma miragem... ‘a vaga perfeita”.

Quando ele se aproximou... e estava iniciando a manobra de estacionamento... girando, sem nenhum esforço, com o dedo mindinho, a direção ultra-cósmica-galáctica-hidráulica-especial de seu veículo... apareceu uma Senhora de Laquê no cabelo... cheia de penduricalhos e bijuterias e uma maquiagem apoteótica... guiando um Escort Verde-Limão... que abruptamente... tomou a frente e “roubou” a tão desejada vaga do Ricaço.

A deslumbrante Coroa... serelepe... saiu de seu carango e, com um riso de canto de boca, gritou ao boquiaberto magnata:

- O mundo é dos espertos !!!

O Ricaço... não se fez de rogado.

Engatou a primeira marcha e começou a abalroar o Cítrico Escort diversas vezes.

Parecia um martelo... transformando o possante verde em um monte de sucata... isso tudo enquanto a esperta mulher gritava em desespero.

Quando o referido magnata cessou aquele flagelo automobilístico... olhou para a mulher, que naquele momento estava em prantos, tirou de seu paletó um pacote gordo de notas de cem reais... contou as notas como se estivesse embaralhando cartas em uma mesa de cassino e, logo em seguida, entregou a pequena fortuna nas mãos da mulher... dizendo:

- O mundo... minha senhora... é de quem tem dinheiro !

Domingo, 15 de Março de 2009

Letras e Dígitos


Alguns dizem que Internet não é lugar para se “publicar” poesia.
Outros debatem sobre a dita “pressa” que alguns escritores tendem a ter, quando se utilizam da ferramenta “internáutica”... tal pressa que pode influir diretamente na qualidade dos textos.

A luta desses "puristas"... sempre será ilustrada como uma eterna luta entre o papel e o monitor... a caneta e a tecla... as letras e os dígitos.

O que me leva a pensar sobre o que é “qualidade” quando nos referimos a um trabalho escrito.

Estamos em um mundo em que um tal “Paulo Coelho” se intitula mago... e ganha milhões com seus livros.

Enquanto.

Milhões de ótimos escritores ficam no anonimato... gastando o que não têm para publicar seus trabalhos... participando de concursos literários... cuja imparcialidade de julgamento sempre é questionável... muitos destes acabam se perdendo na idéia de que “ser escritor é ser boêmio”... ou um viciado qualquer por drogas domésticas, buscando um lirismo qualquer... uma entorpecência inspiradora.

Estas pessoas, por vezes, chegam ao ápice de sua fuga mental, se tornando seres de uma intensa mediocridade travestida de arrogância intelectual.

Esses motivos me levam a duvidar da existência de um padrão de qualidade... que possa separar o joio do trigo... ou seja... essa tal “qualidade literária”.

Principalmente quando vivi e vivo em um mundo onde para se ter um espaço em um mero jornal regional... acabamos por nos tornar um pouco pedintes... esmoléus... mendigando por um meio de propagação para nossos pensamentos.

Tudo isso me levou a ser um defensor da “Internet”... me deparei com o fato de que ela apareceu para democratizar esses espaços para a cultura em geral... um meio gratuito e amplo para “falar bem alto”...

... para o mundo ouvir.

Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009

Carnaval - Acampando em Aracati (Parte 01)


Na véspera do carnaval.

Eu e uns amigos ficamos sabendo que uma turma do nosso bairro ia alugar uma casa na Praia de Aracati.

Perguntamos qual era o preço por pessoa.

R$ 30,00

Começamos a debater.

Éramos todos meio que “despreparados financeiramente”.

Pechinchamos da seguinte forma:

“Quanto custa se acamparmos no quintal ?!?!?”

Isso mesmo... “acampar”... com barraca de lona e coisa e tal.

A resposta:

R$ 10,00

FECHADO !!!

Fizemos as compras e enchemos o carrinho de TANG... biscoito... bolacha... todynho... coca-cola e rum montyla.

Ficamos imaginando o belo quintal que iríamos encontrar.

Um belo gramado espaçoso para armar nossa barraca.

Ou então.

Um belo espaço com areia branca da praia.

Chegando “lá”... constatamos que além da área ser pequena demais para armar nosso “lar improvisado”... ainda exalava uma mistura de urina e fezes seculares... de uma areia bege esverdeada.

Tentamos montar o esqueleto da referida barraca e notamos que havíamos esquecido a lona que cobria o chão da tenda.

Conseguimos uma emprestada... que só cobria “metade” da área do nosso dormitório.

Tivemos que revezar a “dormida”... para não ficarmos todos amontoados.

Na casa não havia água no banheiro e descobrimos que a vizinha do lado tinha uma bomba d’água e que “solidariamente” forneceria o produto para nosso necessário asseio.

A vizinha se mostrou uma tarada sexual... que ficava assediando violentamente o voluntário que ia impulsionar a alavanca da bomba d’água.

A dita cuja só tinha 02 dentes... eu disse... 02 caninos.

Para ser feia faltava um pouquinho só... a coisa era horrorosa.

A turma se reunia e jogava “zerinho ou um” ... para escolher o coitado que iria trazer a água.

A água era de uma pureza mineral... tinha leptospirose medindo 30cm... dava para matar na paulada.

Sem falar que na mistura daquela água com o nosso xampu e o famoso neutrox (lembra desse!?!?)... o cabelo da gente ficou quimicamente alterado... num tom verde com amarelo fogo e espetado para cima.

Um bando de punk no carnaval.

A coisa tava meio esculhambada.

A gente até achou que já tinha acontecido tudo que tinha que acontecer.

CHOVEU... eu disse... CAIU O MAIOR TORÓ !!!

A barraca LITERALMENTE afundou na lama.

Um amigo nosso acordou boiando no seu colchonete... e começou a gritar:

- PUTZGRILA... o colchonete é da minha namorada !!!!!!

Os milhares de sacos de TANG vazaram e a lama parecia um arco-íris líquido a escorrer pelas nossas pernas.

Ficamos putos sem conseguir dormir.

Eu sentei sobre um tijolo e esperei o dia amanhecer.

Depois eu conto mais.